3 de mai. de 2013

O Resumo 2ª parte











Krishna, O Amor Puro

Reencarnação de Vishnu, Krishna é um dos mais conhecidos avatares. Seu nome significa “escuro”, graças à sua pele de tom azulado. É representado por um jovem formoso, de corpo forte e cabelos anelados. É a divindade que conta com o maior número de adeptos na Índia e em todo o mundo, ao lado de Jesus e Buda. No Mahabharata — a grande odisséia hindu e o mais famoso poema épico de toda a Índia —, Krishna aparece ao lado de seu primo e escudeiro Arjuna. Num dos livros do Mahabharata, o Bhagavad Gita (A Canção do Senhor), Krishna personifica a divindade suprema, enquanto Arjuna representa o ser humano, que encontra em Krishna um guia e conselheiro. É a divindade do amor e também recebe os nomes de Govinda (Pastor), Kezava (O Que Possui Cabelos Abundantes), Gopinath (Senhor dos Leiteiros) e Gopal (Pastor).O mantra de Krishna, ou Krishna Mantra, permite ao discípulo desenvolver uma grande força física e moral. A entoação constante deste mantra proporciona confiança e faz com que o praticante passe a acreditar em sua própria capacidade de realização. Para ele o impossível torna-se possível, a dor se transforma em alegria, e as dificuldades, em satisfação. Deve ser repetido oito vezes ao dia:Om Klim Krishnaya Namah

Alguns mantras relacionados a Krishna

Mantras de Krishna (para felicidade): Om Hrisi Keshâya Namah.

Este mantra pode ser entoado, também, para despertar todos os nossos potenciais.



Govinda é o chefe dos pastores e este mantra é uma alusão ao mestre Krishna, o pastor dos espíritos, entoado por aqueles que buscam orientação mística interior:Om Govindaya Namah.



O mantra que homenageia Krishna, o matador de demônios, deve ser entoado para proteger-nos de inimigos:Om Madhusudanaya Namah.



Este é o mantra de proteção que invoca Vasudeva, o pai de Krishna:

Om Namo Bhagawate Vasudevaya.

A repetição deste mantra sagrado aumenta sensivelmente nosso poder de cura energética :

OM Sri Krishnaya Govindaya Vallabrâva Swáhá.





Lakshmi, A Deusa da Fortuna

É a parte feminina de Vishnu, o conservador, é também conhecida como Sri. Segundo a tradição, Lakshmi é eterna e onipresente. Na Índia, quando alguém enriquece, diz-se que Lakshmi foi visitá-lo, pois ela concede prosperidade e fartura aos homens. Atua também na beleza e no amor. É a deusa da fertilidade. Uma das mãos está posicionada num gesto que nos diz “Não tenhas medo”. A outra se posiciona com os dedos para baixo, como a conceder-nos graça e prosperidade. É representada por uma jovem de cor dourada, sentada numa flor-de-lótus.Com o mantra de Lakshmi, ou Sri Mantra, busca-se felicidade pessoal e financeira. Ao entoar este mantra, o praticante deve conservar junto de si um vaso com flores vivas. Deve ser proferido no minimo oito vezes ao dia: Om Srim Hrim Klim Sriyai Namah.








Shiva, O Transformador

Terceira divindade do trimurti, Shiva é o destruidor. A morte, para os hindus e tântricos, representa a passagem para uma nova fase ou para um novo mundo. Shiva nos mostra que nada é permanente.

Representado como um deus alegre que dança, ama, luta, e tem muito bem resolvido e equilibrado os aspectos masculinos e femininos de sua alma.

Shiva dança sobre o demônio Pamara Purusha, que representa nosso ego inflado.

Representada por um belo homem azul, de cabelos longos, essa divindade tem em evidência, entre os olhos, o ajnã chacra (terceiro olho).

Shiva é conhecido por muitos nomes, como Maheswara (O Grande Deus), Ishwar (O Glorioso), Chandrashekara (O Que Tem a Meia-Lua à Frente), Mritunjaya (O Que Vence a Morte), Isana (O Governante), Tryambaka (O de Três Olhos), Sri Kanta (O Que Possui Formoso Colo), Bhuteswara (O Senhor dos Bhuts, dos Elementos da Terra), Gangadhara (O Que Leva o Rio Ganges nos Cabelos), Sthau (O Imperecível), Mahakala (O Grande Tempo), Girisha (O Senhor das Colinas), Digambara (O Que se Veste Com o Espaço) e Bhagavat (O Senhor).

Sua esposa é Shakti. Embora tenha a vida conjugal mais conturbada da mitologia hindu, por possuir várias amantes, o amor que unia Shiva e Shakti era absolutamente profundo. Devido a esse amor, depois da morte de Shakti os deuses/deusas concederam nova vida a ela, que renasceu com o nome de Parvati.

Shiva é o primeiro avatar (manifestação da lei divina ou do caminho da iluminação) que veio à Terra e é apontado como o criador do yoga.

O mantra de Shiva, ou Shiva Mantra, é utilizado nas práticas de yoga e proporciona consciência, saúde longevidade e alegria com a elevação da energia kundalinî. Para praticá-lo é necessário que se tenha muita bhava (devoção). Deve ser entoado oito vezes ao dia e é um dos mantras mais conhecidos do hinduísmo e do tantra: Om Namah Shivaya.



Shakti, O Poder do Feminino

É filha de Daksha, que por sua vez é filho de Brahma. Recebe os nomes de Uma, Ambika e Devi e simboliza o ideal feminino de sensualidade, beleza, alegria, sabedoria, virtude e sinceridade. Foi a amada de Shiva em sua primeira manifestação na Terra e renasceu várias vezes para tornar a unir-se a ele.

Representada por uma mulher jovem e linda, ricamente ornamentada, sua expressão é serena e seus grandes olhos negros transmitem compreensão e sabedoria. Quase sempre aparece ao lado de Shiva.

O Mantra de Shakti pode ser entoado por homens, mas é especialmente recomendado para as mulheres, já que sua prática constante torna-as mais sensíveis, belas e conscientes. O principal atributo desse mantra é o desenvolvimento do poder de geração e criação. Deve ser entoado oito vezes ao dia:

Om Shaktiaya Namah.

Parvati, A Grande Mãe

É a reencarnação ou outra manifestação de Shakti. Também conhecida pelo nome de Gauri (Dourada), é nessa manifestação que se torna a deusa da atração e da beleza. Representada por uma mulher serena e paciente, seus principais atributos são tipicamente femininos, por isso Parvati relaciona-se a elementos como maternidade, carinho e harmonia. Embora fosse a reencarnação da companheira de Shiva, ele teve dificuldade de conquistar seu amor e só a teve porque Parvati era uma manifestação de sua eterna consorte.

O mantra de Parvati, ou Gauri Mantra, concede ao praticante força consciência pessoal. Deve ser entoado oito vezes ao dia: Om Hrim Gauryai Namah.

Outro mantra de Parvati proporciona contentamento e alegria profissional e deve ser entoado oito vezes ao dia: Om Hrim Gauri Rudradayite Hum Phat Swáhá.



Durga, O poder da Natureza

Outra manifestação de Shakti, Durga é a própria Parvati. Aqui, porém, ela assume a postura de uma guerreira, capaz de eliminar os demônios que prejudicam os deuses/deusas e os homens. Tem uma beleza forte e cativante e, por demonstrar coragem e astúcia, revela outro aspecto da feminilidade, menos conhecido e mais guerreiro. A palavra Durga significa “inacessível”, no sentido de algo ilusório, imaterial.

A deusa também surge sob outras manifestações, com os nomes de Jagaddharti (Mãe do Mundo), Dasabhuja (Deusa de dez mãos), Muktakesi (A que tem cabelos ao vento), Tara (A salvadora), Chinnamustaka (A decapitada), Krishnakrora (A que amamentou krishna), Jagadgauri (Mulher dourada de fama universal), Annapuma (A que traz fortuna), Pratyangira (A bem proporcionada), Singhavahini (A que monta um leão), Mahishamardini (A que matou o demônio Mahisha) e Kali (A negra), esta a mais conhecida de suas manifestações.

O mantra de Durga, ou Durga Hridaya Mantra, proporciona proteção feminina, consciência, sexualidade e segurança. Deve ser entoado oito vezes ao dia: Om Em Hrim Klim Camunda Vicai Namah.

Dentro da tradição tântrica e hindu há dez divindades relacionadas com Durga que conferem atributos variados. Seus dez mantras de sabedoria (Dasha-Mahavidyas) são:

· Bhuvaneshuari (sustentação da vida) é a deusa criadora: Om Bhuvaneshuari Namah.

· Matangi (poder de dominar) é a deusa energizadora: Om Matangi Namah.

· Kali (poder sobre o tempo) é a deusa controladora: Om Kali Namah.

· Bagala (destruição do negativo) é a deusa protetora: Om Bagala Namah.

· Chinnamasta (distribuição da energia da vida) é a deusa iniciadora: Om Chinnamasta Namah.

· Dhumavati (domínio da natureza) é a deusa desafiadora: Om Dhumavati Namah.

· Tara (recriação da vida) é a deusa libertadora: Om Tara Namah.

· Bhairavi (modificações na vida) é a deusa tecelã: Om Bhairavi Namah.

· Sodashi (aperfeiçoamento) é a deusa preservadora: Om Sodashi Namah.

· Kamala (restauração) é a deusa dos poderes: Om Kamala Namah.

Entoe esses mantras 108 vezes ou em múltiplos de 8.




Kali, A Destruição

Uma das manifestações de Durga, Kali é a Mãe Negra, a deusa da morte, (transformações) representada por uma mulher de pele escura e quatro braços. Leva nas mãos uma espada e a cabeça de um gigante a quem venceu e matou. Seus olhos são avermelhados e há rastros de sangue no rosto e nos seios. No passado, a corrente de esquerda do tantrismo dedicava a Kali ritos sanguinários. Sua simbologia deve ser compreendida no aspecto mais profundo, que é, na verdade, a destruição e a morte do ego, do apego e das ilusões, que geram sofrimento. Kali é uma guerreira feminina cuja sexualidade se manifesta em sua forma mais atuante e primitiva, já que os instintos se sobrepõem à sua condição de deusa.

O mantra de Kali, ou Kali Mantra, atua sobre o despertar da energia da vida (kundalinî), eliminando o egocentrismo do praticante e preparando-o para alcançar a maturidade, individação(Jung) e o respeito dos que o cercam. Deve ser entoado oito vezes ao dia: Om Sri Kalikaya Namah.

Ganesha, Sabedoria e Prosperidade

Ganesha é filho de Shiva e Parvati. É cultuado como deus da sabedoria, da superação dos obstáculos e da prosperidade. Sua ajuda deve ser solicitada na execução de qualquer projeto, especialmente naqueles de natureza intelectual, material ou profissional.

Ganesha também está associado à prudência, à diplomacia e ao poder. Arquetipicamente é representado como um homem de corpo robusto e cabeça de elefante. O corpo forte indica firmeza; a cabeça, sagacidade. Sua tromba simboliza o órgão genital masculino, associado à força, e sua boca representa o órgão genital feminino, vinculado à intuição. Dessa forma, Ganesha é a manifestação do equilíbrio perfeito, da interação da força masculina e feminina. Em geral aparece perto de um rato, animal associado ao falso amor, que são o apego e as ilusões, que impedem de enxergar a realidade com clareza.

Ganesha costuma ser representado com apenas duas mãos, mas também pode apresentar quatro, seis ou oito. Embora não seja uma divindade à qual os textos sagrados façam muitas referências, conquistou devotos no mundo inteiro. Na Índia não há praticamente uma casa, templo ou mosteiro em que sua imagem não ocupe lugar de destaque. Além disso, existe uma corrente do hinduísmo que faz de Ganesha objeto supremo de adoração e seus seguidores são chamados ganapatyas.

Essa divindade aparece em várias manifestações ou formas diferentes e cada qual exalta uma qualidade.

19 de abr. de 2013

O Resumo 1ª parte



“Eu sou o amor puro dos amantes
que lei nenhuma pode proibir.”

Krishina.
   A mitologia hindu e tântrica é uma das mais ricas e de todo o planeta. São tantos deuses/deusas, devas (seres equivalentes aos anjos da tradição ocidental), semideuses e avatares (manifestação da lei divina ou do caminho da iluminação, onde ava = manifestação; tara = lei) que se torna impossível enumerá-los. Selecionei nesse capítulo algumas das principais divindades. Dentre elas, os três deuses/deusas que constituem a trindade máxima (trimurti) do hinduísmo e do tantra ― Brahma, Vishnu e Shiva. É importante afirmar que, embora alguns textos apresentem hierarquia entre as divindades do trimurti, não há supremacia. Os três são independentes e complementares.  
Brahma, o Criador.
Primeira divindade do trimurti. É o deus criador, senhor de todos os seres, descrito com quatro ou cinco cabeças. Veste-se com roupas brancas e cavalga sobre um ganso. Uma das lendas sobre o surgimento de suas múltiplas cabeças conta que, de sua própria “substância imaculada”, Brahma deu origem a uma companheira. Ao contemplar a beleza sublime de sua companheira, Brahma foi tomado por um grande amor que não conseguia deixar de olhá-la. Para que continuasse a mirá-la, mesmo quando ela se deslocava para outros lados (direito, esquerdo, trás e alto), Brahma deixou que novas cabeças surgissem. Por fim, Brahma tomou-a por companheira e juntos deram origem a suras (deuses) e asuras (demônios).
O mantra de Brahma, ou Brahma Mantra, proporciona contentamento, saúde e longevidade. Concede também um sentimento profundo de devoção e confiança. Deve ser entoado, no mínimo, oito vezes: Om Hrim Brahmaya Namah.
Sarasvati, a Deusa da Sabedoria
É a forma feminina de Brahma, sendo sua companheira e filha por ter surgido diretamente da matéria do Criador e tê-lo desposado. Seus outros nomes são Satapura, Savitri, Gayatri e Brahmani. Representa todo o conhecimento e a sabedoria. Mãe dos Vedas (livro sagrado hindu) e inventora do alfabeto dêvanágarí (escrita dos deuses), é representada como uma bela jovem de quatro braços. Aparece sentada numa flor-de-lótus, símbolo da transmutação, trazendo em uma das mãos uma flor para oferecer a Brahma e na outra um livro, símbolo de sua sabedoria. Em outra mão segura um shivamala (colar de Shiva), que lhe serve para contar os mantras que entoa, e na outra, um pequeno tambor, chamado damaru, que lembra seu amor à arte e à música. Também é representada como uma jovem com apenas dois braços que toca um instrumento de cordas, sentada sobre uma flor de-lótus.
O mantra de Sarasvati, ou Sarasvati Mantra, visa o aperfeiçoamento do intelecto, da criatividade e da inteligência. Deve ser entoado, no mínimo oito vezes: Om Sri Sarasvatiaya Namah.
Vishnu, o Mantenedor 
Segunda divindade do trimurti, Vishnu é a energia conservadora. Aparece em oito encarnações ou avatares. Leva um disco na mão, mostrando que mantém o dharma, a retidão, a justiça, a honradez e a ordem do universo. A concha simboliza a remoção da ignorância e a música do cosmo. O lótus representa a beleza do universo e a pureza, assim como a transformação. O veículo de Vishnu é Garuda, o homem-águia, uma figura de grande força e poder.
O mantra de Vishnu, ou Vishnu Gayatri Mantra, tem como efeito principal estimular a força física do praticante. Deve ser entoado oito vezes ao dia:
Om Narayanaya Vidmahe Vasudevaya Dhi Mahi
Tanno Vishnu Prachodayata.

As oito manifestações de Vishnu e seus mantras

Segundo a tradição hindu, Vishnu se manifestou em oito formas divinas. Algumas poucas escolas acreditam que Siddharta Gautama — o Buda — seja a nona encarnação. Eu, particularmente, não.
1a manifestação: Matsya

Matsya significa peixe e nessa encarnação Vishnu é um peixe enorme com escamas de ouro e um chifre. Ele avisou Manu (o “Noé” hindu) sobre o dilúvio e salvou-o num barco preso ao seu chifre.
2a manifestação: Kurma

Vishnu, aqui, se transforma em Kurma, a tartaruga, a fim de salvar o Monte Mandara — que continha o leite da imortalidade — do ataque de demônios destruidores.
3a manifestação: Varaha

Quando a Terra estava submersa sob as águas de um segundo dilúvio, Vishnu encarnou em um javali, matando um gigante que aprisionava a Terra.
4a manifestação: Nara Simha

Vishnu aqui é Nara Simha, meio homem, meio leão. No crepúsculo matou um demônio que tinha invulnerabilidade durante o dia e a noite. Essa manifestação deveu-se à necessidade de combater a idolatria do homem.
5a manifestação: Trivik Rama

Desejando terminar a guerra entre deuses/deusas e demônios, Vishnu encarna num anão com poderes mágicos que domina os três mundos (físico, emocional e espiritual). O mantra que invoca Vishnu e o domínio dos três planos é: Om Trailokya Nathaya Namah.
6a manifestação: Parasu Rama

Nessa encarnação Vishnu aparece como um sacerdote hindu. Ele matou o rei Kshatryia, que roubou seu pai. Os filhos do rei, por sua vez, mataram seu pai, o que fez com que Parasu Rama matasse todos os homens descendentes do rei durante 21 gerações.
7a manifestação: Rama

Rama é um guerreiro que sai em resgate de sua esposa Sita, capturada pelo demônio Râvana. Na batalha descrita na Epopéia Ramayama, Rama tem um fiel amigo, o macaco Hanumam, deus da devoção.
8a manifestação: Krishna

Krishna é considerado a manifestação mais consciente de Vishnu. É o iluminado que traz caminhos de paz, equilíbrio e amor na era em que vivemos (kali-yuga).
Este é o mantra de Krishna, popularizado no Ocidente, a partir do fim dos anos 60, pelos Beatles:
Hare Rama, Hare Rama
Rama Rama, Hare Hare
Hare Krishna, Hare Krishna
Krishna Krishna, Hare Hare.

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9 de abr. de 2013

14 preceitos do Budismo.


Acredito que seja uma leitura interessante mesmo para aqueles que são da religião A ou B. Creio que seja uma leitura valiosa mesmo para aqueles que são contrários a existência de qualquer religião. Creio que esta leitura seja valiosa para todos que desejam ser seres humanos melhores.
  • Não idolatre ou se prenda a nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, mesmo as Budistas. Os sistemas Budistas de pensamento são apenas guias e não verdades absolutas.
  • Não pense que seu conhecimento atual é imutável e absolutamente verdadeiro. Evite ter uma mente fechada e presa apenas as suas visões atuais. Aprenda e pratique o desapego de suas opiniões de maneira a estar aberto a ouvir o ponto de vista dos outros. A verdade é encontrada na vida e não apenas no conhecimento conceitual. Esteja pronto para aprender durante toda a sua vida e a observar a realidade em você e no mundo, a todo momento.
  • Não imponha aos outros, inclusive às crianças, de maneira alguma, a adoção de suas opiniões, seja pela autoridade, coerção, dinheiro, propaganda ou mesmo educação. Por outro lado, através da argumentação, auxilie outros a renunciarem ao fanatismo e à mente fechada.
  • Não evite o sofrimento ou feche seus olhos frente a ele. Não perca a consciência da existência do sofrimento na vida diária. Encontre maneiras de estar com aqueles que estão sofrendo, seja através de contato pessoal, visitas, imagens e sons. Desta maneira acorde e acorde outros para a realidade do sofrimento no mundo.
  • Não acumule riquezas enquanto milhões estão famintos. Não tenha como objetivos de sua vida a fama, lucro, riqueza ou os prazeres carnais. Viva de maneira simples e compartilhe seu tempo, energia e recursos com aqueles que realmente precisam.
  • Não cultive raiva e ódio. Aprenda a penetrar e transformar estes sentimentos enquanto eles ainda semeiam sua consciência. Tão logo eles apareçam, volte sua atenção a sua respiração de maneira e ver e entender a natureza de seu ódio.
  • Não se perca, não disperse seu pensamento. Pratique a meditação para voltar ao seu momento presente, ao que ocorre neste momento. Esteja em contato com as coisas maravilhosas, refrescantes e saudáveis tanto dentro de você como ao seu redor. Plante em você sementes de alegria, paz e aceitação de maneira a facilitar o processo de transformação que ocorre nas profundezas de sua consciência.
  • Não use palavras que possam gerar discórdia ou causar cisões em sua comunidade. Faça todos os esforços para reconciliar e resolver todos os conflitos, mesmo os menores.
  • Não diga inverdades para obter vantagens ou impressionar pessoas. Não profira palavras que dividão e gerem ódio. Não espalhe notícias ou informações que você não está certo de serem verdades. Não critique ou condene coisas das quais você não está tão certo. Sempre seja verdadeiro e construtivo. Tenha a coragem de dar um passo a frente e criticar injustiças, mesmo que ao fazer isto você ameace sua própria segurança.
  • Não use a comunidade Budista para ganho pessoal ou lucro, ou transforme sua comunidade em uma força política. Uma comunidade religiosa deve, por outro lado, se opor a qualquer opressão e injustiça e deve lutar para mudar a situação, sem entrar em conflitos partidários ou ideológicos.
  • Não conviva com uma vocação que é maléfica aos humanos ou à natureza. Não invista em empresas que privem outros de suas possibilidades de vida. Escolha uma vocação que te permita realizar o ideal da compaixão.
  • Não mate. Não deixe que outros matem. Encontre qualquer maneira possível de proteger a vida e evitar guerras e conflitos.
  • Não possua nada que deva ser de outra pessoa. Respeite a propriedade dos outros, mas impeça que outros lucrem com o sofrimento humano ou o sofrimento de outras espécies do planeta.
  • Não maltrate o seu corpo. Aprenda a cuidá-lo com respeito. Não pense no seu corpo apenas como um instrumento. Preserve suas energias vitais (sexual, espiritual, respiração) para a realização de seu Caminho. (Para irmãos e irmãs que não são monges ou freiras:) Suas expressões sexuais não devem ser sem amor e comprometimento. Em uma relação sexual tenha consciência do sofrimento que pode ser causado no futuro. Para preservar a felicidade de outros, respeite seus direitos e compromissos. Esteja plenamente consciente da responsabilidade de trazer novas vidas a este mundo. Medite sobre o mundo para o qual você está trazendo novos seres.
 Fonte: http://zensimples.blogspot.com.br/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2009-01-01T00:00:00-02:00&max-results=1

26 de mar. de 2013

Belos Contos 1



Paraíso ou Inferno



Um samurai chamado Nobushige encontrou o mestre Hakuin numa estrada.

- Mestre existem realmente um paraíso e um inferno?"

- "Quem és tu?" perguntou Hakuin.

- "Um samurai", respondeu o outro.
- "Tu um guerreiro?, não me faças rir, tu pareces um mendigo", Exclamou Hakuin.

Isso foi como uma ofensa para o samurai, que desembainhou a espada.

- " Ah e ainda tens uma espada! Será que ela é afiada o suficiente para cortar minha cabeça?" perguntou.

Cego de fúria, o samurai levantou a espada, pronto para decepar Hakuin.

-" Aqui se abrem as portas do inferno", disse Hakuin.

Diante destas palavras o samurai se deteve e compreendendo o ensinamento do mestre, guardou a espada e fez uma reverência.

-" Aqui se abrem as portas do paraíso, concluiu o mestre".







" Você nunca sabe que resultados virão da sua ação.
Mas se você não fizer nada, não existirão resultados"
~Mahatma Gandhi





"Para alcançar conhecimento, adicione coisas todo dia. Para alcançar sabedoria, elimine coisas todo dia."
~Lao-Tsé



"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque é falado por muitos.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seu livro religioso.

Não acredite em algo meramente porque é de autoria de seus professores ou anciões.

Não acredite em tradições só porque têm sido praticadas por muitas gerações.

Mas, após observação e análise, quando encontrar algo que está em acordo com a razão e conduz ao bem e benefício de um e de todos então aceite-o e viva por ele."

Budha

10 de mar. de 2013

Omoiyari - enxergar e sentir a vida através da percepção do próximo.


                   

                De origem Japonesa, o conceito de omoiyari é algo de difícil tradução em poucas palavras, até mesmo para sua língua nativa. Omoi, nesse caso, seria algo como “consideração pelo próximo”, enquanto yari, adaptação do verbo yaru, significaria “mandar alguma coisa para os outros”. Há estudos que definem o termo como o caminho do pensamento (nesse caso, o pensamento no próximo) ou o caminho de agir em relação a si e aos outros.
                    
               Embora seja  um termo antigo, o mesmo é transmitido e valorizado entre as novas gerações até hoje, como uma forma de pensamento social inteligente.  Através de escolhas conscientes, é feita uma análise da perspectiva de outras pessoas sem realizar qualquer tipo de julgamento. Diferenças podem não necessariamente ser compreendidas, mas são aceitas. Sem tempo para discussões sobre o que ou quem está certo ou errado. Isso significa que a pessoa também deve considerar e estar ciente de sua própria perspectiva, não como sendo algo verdadeiro ou falso, mas como mais uma, entre muitas, possibilidades.
                    
               Atuar através do omoiyari não é colocar-se no centro das atenções (egocentrismo), nem mesmo colocar os outros em foco (altruísmo). Agir com omoiyari é basear a relação de todos em foco (interdependência). Com o omoiyari somos postos a uma reta crescente de aprendizado através de exemplos, por entrar em contato com diversas maneiras de enxergar a vida. Sabendo apreciar a todas, sem espaço para discriminações ou julgamentos. Conscientes de nossas próprias forças e limitações e apreço pela dos outros, podemos gerar mudanças extremamente positivas por meio da adoção de diferenstes perspectivas.
                    
               Em seu país de origem, podemos vê-lo em prática constante. Desde detalhes minuciosos como colocar a ponta do papel higiênico dobrada de tal maneira a formar um triângulo (auxiliando na pegada do papel e na simples aparência), até o respeito por lugares destinados a pessoas com necessidades especiais, uso de fones nos coletivos, preservação da limpeza e integridade dos locais públicos, etc. Temos exemplos claros na última catástrofe que abalou o país onde, apesar do estado de calamidade pública, a ordem era mantida entre as pessoas. Era possível ver pessoas de forma ordenada nas filas para mantimentos ou o respeito pelos bens do próximo.
                    
               No Wayshia, embora não prezemos exclusivamente por conceitos marciais, o omoiyari também é utilizado nos treinos e combates. Começando pela simples entrada no dojô (local de treino), apresentando-se de forma espontânea e de boa vontade. Prestando auxílio nas tarefas e demonstrando gratidão pela presença dos companheiros do treino, bem como pelo esforço e dedicação do mestre em passar os ensinamentos. O mesmo se aplica aos combates e treinos, quando ambos devem doar-se em benefício mútuo. Não adianta agir com extrema cautela a fim de se preservar em todos os aspectos, exitando em todos os exercícios, pois o companheiro de treino não conseguiria aprender de forma adequada por não praticar de forma adequada as movimentações. Da mesma forma, não devemos colocar demasiada força nos movimentos, agredindo, intimidando e ameaçando a integridade física do próximo, podendo até mesmo comprometer sua atividade permanentemente. Agindo dessa forma, é como se desejássemos que o irmão marcial jamais progredisse em sua prática.
         
               Seja na rua, no trabalho, ou em casa, independente do local, cultive a ideia do omoiyari. Pense que suas atitudes são importantes e geram efeitos colaterais naqueles que o cercam. Perceba que você tem valor diante do meio em que vive, bem como todos que convivem e fazem parte desse imenso e constante fluxo de trocas que chamamos de vida.

“Pensar é fácil, agir é difícil, mas colocar as ideias de alguém em prática é a coisa mais difícil do mundo” – Johann Wolfgang Von Goethe

Fonte: http://www.omoiyari.eu/concept.php
          http://incriveljapao.blogspot.com.br/2011/08/gentileza-gera-gentileza.html

18 de fev. de 2013

Zazen - Por Que Praticar





Fazer Zazen não é fácil. Leva tempo, dói o corpo, a coluna, o tornozelo e consome energia, muita energia. Também exige fibra, determinação e disciplina. Com certeza é muitíssimo melhor passar o seu tempo livre assistindo TV. Então, por que ter esse trabalho? Por que empatar todo esse tempo e energia quando você poderia estar simplesmente se divertindo? Por quê? É simples. Porque você é um ser humano. E por causa desse simples fato, herda uma insatisfação inerente com a vida, algo que não some. E é possível suprimi-la da mente por algum tempo. Pode distrair-se horas sem fim mas a insatisfação sempre volta. De repente, saindo do nada. Você está ali e de súbito se dá conta de que a vida não está lá essas coisas. Mas você é esperto, arruma uma cara de bem sucedido, dá um jeito de fazer as coisas mais ou menos certo e, por fora está tudo bem. Mas aqueles períodos de angústia de cansaço, aquelas ocasiões em que você sente tudo desabar à sua volta, isso você oculta. Você é uma grande lata de lixo e, se você ainda não se apercebeu disso é por que está muito pior do que parece, mas você consegue esconder isso com muito engenho e arte.



Entretanto, você sabe que tem que haver uma outra maneira de viver, maneira melhor de ver o mundo, um modo de tocar a vida plenamente. De vez em quando você enxerga esses modos. Arranja um bom emprego, compra um carro novo, passa de faixa, arruma uma nova namorada etc. E por algum tempo as coisas parecem que ficaram boas. A vida ganha clareza, uma riqueza que faz duvidar dos maus momentos e das chatices. Toda a trama de sua vida modifica-se e você diz a si próprio: O.K., desta vez acertei na mosca, agora vou ser feliz. Mas aquela sensação também se esvai como água no ralo. O que lhe sobra é só a recordação. Isso, e a vaga consciência de que algo continua errado.



No entanto, existe na vida outro mundo de profundidade e sensibilidade, só que você não enxerga. Sente-se marginalizado. O fato é que não está conseguindo controlar sua vida.



As coisas não estão saindo direito. E depois, até mesmo essa vaga consciência some e você encontra a velha realidade. O mundo lhe parece o lugar desgraçado de sempre, ou pelo menos chatíssimo. Você está numa montanha russa emocionante e passa um tempão no baixo, esperando a hora de ir para o alto. Qual é o problema? Nenhum. Você é apenas um ser humano. E sofre do mesmo mal que aflige todos os seres humanos. Dentro de todos nós existe um monstro de muitos tentáculos: tensão crônica, falta de genuína compaixão pelos demais, sensações engarrafadas, morte emocional. Muitos, mas muitos tentáculos. Ninguém se livra inteiramente disso. Podemos negá-lo. Podemos tentar suprimi-lo.



Construímos à sua volta uma cultura que o esconde, fingimos que não existe, e nos distraímos com meros projetos e status. Mas o monstro não se vai. Ë uma corrente subjacente em todos os pensamentos e percepções; num cantinho da cabeça uma voz sem palavras repete: “Ainda não é o suficiente. Precisa conseguir mais. tem que melhorar”. Ë isso, melhorar: fala o monstro. Vá a uma festa. Escute as risadas, aquela voz de língua fiada que na superfície diz prazer e no fundo medo. Sinta a

tensão, a pressão. Ninguém se descontrai. Todo mundo fingindo. Vá a uma partida de futebol. Observe o torcedor na arquibancada. Observe a raiva descontrolada. Observe aquela frustração sem rédeas que brota de gente com máscara de entusiasmo, de amor ao time. Vaias, xingamentos, agressões e egoísmo sem limites em nome da lealdade ao clube. Bebedeiras, brigas nas arquibancadas. Ë gente que tenta desesperadamente aliviar sua tensão. Não está em paz consigo mesma. Veja o jornal da TV. Escute a letra das canções populares. Sempre o mesmo tema, repetido, repetido, reprisado em diferentes tons. Ciúmes, sofrimento, descontentamento, stress.



A vida parece uma batalha perpétua, um esforço enorme contra as chances. E qual é a nossa solução para toda essa insatisfação? Agarramo-nos à síndrome do “se ao menos eu”. Se ao menos eu tivesse mais dinheiro poderia ser mais feliz. Se encontrasse alguém que me amasse de verdade, se emagrecesse ao menos 10 quilos, se tivesse uma TV a cores, um carro, cabelo louro; e assim por diante. De onde vem todo esse lixo e, ainda mais importante, de que modo livrar-se dele? Ele vem das condições de nossa mente. É uma série sutil, penetrante, de hábitos mentais arraigados, um nó cego que nós mesmos atamos pouco a pouco e só podemos desfazê-lo da mesma forma, pedaço a pedaço.



A essência de nossa experiência é a transformação. A mudança incessante. Momento a momento a vida se escoa e nunca é a mesma. Um pensamento nos surge na cabeça e desaparece em meio segundo. Vem outro e some também. Um som nos chega aos ouvidos e desaparece. Abra os olhos e o mundo entra; Pisque e ele some. As pessoas entram em sua vida e logo saem. Amigos vão embora, parentes morrem. A sorte sobe e desce. É uma transformação incessante, altera-se, muda, muda, muda. Nunca há dois momentos iguais, nunca.



Nada disso está errado. É a natureza do universo. Mais a cultura humana nos instilou estranhas reações a esse fluir contínuo. Categorizamos as experiências. Tentamos separar em um de três escaninhos mentais cada percepção nossa, cada alteração do fluxo. Ou é boa, ou é má, ou neutra. E, então, conforme a caixa em que a metemos, encaramo-la com certas reações mentais habituais, fixas. Se a percepção foi rotulada “boa”, procuramos congelá-la no tempo. Apegamo-nos àquele pensamento, com gentileza, carinho, tentando evitar que se desvaneça. Quando não funciona, fazemos enorme esforço de repetir a experiência que o causou. Chamemos de “apego” esse hábito mental.



Do outro lado da mente está o escaninho rotulado “mau”. Quando damos com uma coisa “má”, tentamos descartá-la. Procuramos negá-la, rejeitá-la, livrar-nos dela de qualquer jeito. Lutamos contra nossa própria experiência. Fugimos de pedaços de nós próprios. Chamemos de “rejeição” esse hábito mental. Entre as duas reações está o arquivo do hábito mental. Entre as duas reações está o arquivo do “neutro”, onde enfiamos as experiências que nem são boas nem más. São tépidas, foscas, desinteressantes, chatas.



Escondemos a experiência na caixa “neutra” para esquecê-la e voltar a atenção ao ponto de ação, ou seja, a ronda sem-fim de desejo e aversão. Essa categoria de experiência é banida da atenção. Chamemos de “desdém” esse hábito mental. O resultado direto de toda essa loucura é uma corrida perpétua que não leva a nada, correndo atrás do prazer,

fugindo a toda força da dor e desdenhando incessantemente 90% do que experimentamos.



Por mais que você persiga o prazer e o sucesso, eles quase sempre escapam das suas mãos, ou então duram muito pouco tempo. Entre uma coisa e outra a vida é tão aborrecida que dá vontade de gritar. Nossa mente está cheia de opiniões e críticas. Construímos à nossa volta uma muralha e somos prisioneiros de nossos próprios gostos e desgostos. Sofremos. A essência da vida é o sofrimento. À princípio, isto parece mórbido e pessimista. Até parece falso. Afinal, há muitos momento de prazer, não é verdade? Não, não é, é mera aparência.



Tome qualquer momento de prazer e examine-o de perto. Sob a alegria encontra aquela penetrante sensação de tensão: por melhor que seja o momento, ele tem que acabar. Não importa o que acabou de ganhar: ou vai perdê-lo em parte ou vai passar o resto da vida guardando o que restou e matutando como poderá obter mais.



Horroroso, não é? Não. Apenas parece horroroso quando você o examina do nível da perspectiva mental comum, do mesmo nível em que funciona a correia sem-fim. Por baixo daquele nível há outra perspectiva totalmente nova, diferente, de olhar o universo. Um nível de funcionamento em que a mente não tenta congelar o tempo, em que não nos apegamos à experiência que passa, em que não tentamos bloquear as coisas e fingir que não existem. É um nível de experiência além do bom e do mau, além do prazer e da dor. É uma maneira inteligente de perceber o mundo e é uma destreza que se aprende. Não é fácil, mas é possível.



Felicidade e paz. São essas, na verdade, as questões fundamentais da existência humana. É o que todos nós buscamos. Por vezes é difícil enxergar isso porque tapamos as metas básicas com montes de objetivos superficiais. Queremos comida, queremos sexo, posses e respeito (me lembrei da música “A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte”- Gonzaguinha). Chegamos até a dizer que o conceito de felicidade é abstrato demais: “Olhe eu sou prático. Basta-me ter dinheiro suficiente e comprarei toda a felicidade do mundo” “Dinheiro não traz a felicidade manda vir”. Infelizmente, essa atitude não funciona.



Examine cada uma dessas metas e verá que todas são superficiais. Quer comida? Por quê? Porque estou com fome. Tem fome, e dai? Ué, se eu comer, perderei a fome e me sentirei bem. Ah, ah, ah! Sentir-se bem eis a verdadeira questão. O que de fato buscamos Não são as metas superficiais. Essas são apenas para chegar a um fim. O que realmente buscamos é aquela sensação de alivio que sobrevém quando o desejo é satisfeito. Alívio, sossego e fim da tensão. Paz e felicidade.



E o que é essa felicidade? Para a maioria de nós a felicidade perfeita significaria obter tudo que desejamos, poder controlar tudo, fazer o mundo inteiro dançar pela música que escolhemos, ter todas as mulheres bonitas do mundo, obter um emprego em que só precise ir uma vez por semana e ganhar “trocentos zilhões” por mês. Outra vez, isso não funciona. Dê uma olhada na história e considere os indivíduos que tiveram esse poder absoluto, Nunca foram felizes. Com toda a certeza não viviam em paz consigo mesmos. Por quê? Porque ansiavam dominar o mundo todo e naturalmente não podiam. Queriam controlar os seres humanos mas

sempre sobravam alguns que rejeitavam o controle. Acabavam malucos e infelizes.



Você não pode obter tudo o que quer. É impossível. Por sorte, há outra opção. Pode aprender a controlar sua mente, fugir do círculo vicioso do desejo e da aversão. Pode aprender a não querer o que deseja, reconhecer seus desejos sem se deixar dominar por eles. Não quer dizer que você tenha que se deitar na rua e permitir que todos o pisem. Significa que continua levando uma vida de aspecto normal, mas viverá em nova e diferente perspectiva. Quer algo, porém não precisa correr atrás, seja do que for. Tem medo de algo, mas não precisa ficar tremendo que nem vara verde.



Tudo bem! Mas espere um pouco. Paz e felicidade não são os objetivos da civilização? Construímos grandes edifícios e enormes estradas. Temos férias, aparelhos de TV, de vídeo game, antenas parabólicas (ou seriam antenas paranóicas). Tudo isso destina-se a proporcionar certo grau de felicidade e paz. No entanto, cresce sem parar o índice dos doentes mentais e isso sem falar na taxa de criminalidade. As ruas pululam de delinqüentes. Estique o braço na porta da rua e é bem capaz de ficar sem o seu relógio. Algo não está funcionando. Gente feliz não rouba. Uma pessoa em paz consigo mesma não sente vontade de roubar, não sente vontade de matar.



Aos poucos começamos a perceber que exageramos o aspecto material da existência, à custa do mais profundo aspecto emocional e espiritual e que já estamos pagando por esse erro. Uma coisa é falar sobre a degenerescência da fibra moral dos homens de hoje e outra é fazer algo a respeito. Devemos começar por nós próprios.



Você não pode fazer alterações radicais no seu modo de vida enquanto não começar a ver-se exatamente como é. Assim que o conseguir, as transformações virão naturalmente. Não precisa forçar nem brigar, nem obedecer regras impostas por alguma autoridade. Você se modifica naturalmente. É automático.



“O que és agora, resulta do que já foste. O que serás amanhã, será resultado do que és hoje. As conseqüências de uma mente perversa te seguirão como a carreta segue o boi que a puxa. As conseqüências da mente purificada te seguiram como tua própria sombra. Ninguém; pais, parentes, amigos, ninguém pode fazer por ti mas do que tua mente purificada. A mente bem disciplinada traz felicidade.” (Dhammapada).



O intuito do zazen é purificar a mente. alijar do processo de raciocínio o que poderíamos chamar de irritantes psíquicos, coisas como cobiça, ódio, inveja, ciúme, que mantêm o ser humano acorrentado em servidão emocional. Trazer à mente um estado de tranqüilidade e concretização, de concentração e visão interior.



Nossa sociedade deposita grande fé na educação. Cremos que o saber torna civilizada uma pessoa culta. Mas a civilização apenas dá à pessoa um verniz superficial. Sujeitemos o sofisticado fidalgo às tensões de guerra ou do colapso econômico e vejamos o que sucede ou o que resta dele. Uma coisa é obedecer a lei quando se conhecem as penalidades e as tememos. É inteiramente diferente obedecer à lei porque você se purgou da cobiça que o induzia a roubar e do ódio que o levava a matar. Jogue uma pedra

na água. A correnteza pode polir a superfície, mas por dentro tudo continua na mesma. Tome a mesma pedra e submeta-a ao fogo de uma fornalha: a pedra inteira se transformará por dentro e por fora. O zazen o transforma por inteiro, do âmago para fora.



A purificação é chamada de Grande Mestra. Ë o fogo purificador que age lentamente por meio da compreensão. Quanto maior sua compreensão, mais flexível e tolerante você poderá ser. Quanto mais compreender, mais compassivo você será. Pode tornar-se o pai ou a mãe perfeitos, o namorado ideal, o atleta inigualável. Está disposto a perdoar e esquecer, sente compaixão pelo próximo porque o compreende. E compreende os demais porque compreendeu a si próprio. Olhou profundamente dentro de si e viu como se iludia com suas deficiências humanas. Viu sua própria humanidade e compreendeu às dos outros.



Para cultivar a mente, primeiro você tem que descartar as várias ervas daninhas que a estorvam, arranca-las do solo pelas raízes para que não voltem a crescer. Então fertiliza, investe energia e disciplina no solo mental. Semeia e logo colhe safras de fé, moral, retidão, consciência e calma, muita calma.



Neste contexto, fé e moral tem um sentido muito especial. Não creia porque está escrito num livro, foi atribuído a um profeta, ou lhe foi ensinado por uma pessoa de autoridade. O real significado de fé é ter mais confiança. Ë saber que algo é verdade porque você viu como funciona, porque observou esse fenômeno em si mesmo. Da mesma forma, moral não é obediência ritual a um código de conduta imposto de fora. É, antes de tudo, um hábito saudável que escolheu consciente e voluntariamente e você se impôs porque o reconhece superior à sua conduta anterior.



A finalidade do zazen é a transformação pessoal. O “você” que entra de um lado do zazen não é o mesmo “você” que sai do outro. O zazen modifica seu caráter por um processo de sensibilização, ao torna-lo profundamente consciente de seus pensamentos, palavras e atos. sua arrogância desaparece e o seu antagonismo seca. Sua mente fica calma e sossegada. Sua vida torna-se mais “macia”. Assim, o zazen, feito como deve ser, prepara-o para os altos e baixos da existência. Reduz-lhe a tensão, o medo e a preocupação. O desassossego diminui.



O zazen aguça-lhe a inteligência e a capacidade de raciocinar. Mas isso tudo são apenas palavras escritas num papel. Somente existe uma maneira de verificar se a prática do zazen vale realmente o esforço. Ver por si mesmo.






Fonte: http://www.budismosimples.kit.net/textos/zazen.htm