19 de abr. de 2013

O Resumo 1ª parte



“Eu sou o amor puro dos amantes
que lei nenhuma pode proibir.”

Krishina.
   A mitologia hindu e tântrica é uma das mais ricas e de todo o planeta. São tantos deuses/deusas, devas (seres equivalentes aos anjos da tradição ocidental), semideuses e avatares (manifestação da lei divina ou do caminho da iluminação, onde ava = manifestação; tara = lei) que se torna impossível enumerá-los. Selecionei nesse capítulo algumas das principais divindades. Dentre elas, os três deuses/deusas que constituem a trindade máxima (trimurti) do hinduísmo e do tantra ― Brahma, Vishnu e Shiva. É importante afirmar que, embora alguns textos apresentem hierarquia entre as divindades do trimurti, não há supremacia. Os três são independentes e complementares.  
Brahma, o Criador.
Primeira divindade do trimurti. É o deus criador, senhor de todos os seres, descrito com quatro ou cinco cabeças. Veste-se com roupas brancas e cavalga sobre um ganso. Uma das lendas sobre o surgimento de suas múltiplas cabeças conta que, de sua própria “substância imaculada”, Brahma deu origem a uma companheira. Ao contemplar a beleza sublime de sua companheira, Brahma foi tomado por um grande amor que não conseguia deixar de olhá-la. Para que continuasse a mirá-la, mesmo quando ela se deslocava para outros lados (direito, esquerdo, trás e alto), Brahma deixou que novas cabeças surgissem. Por fim, Brahma tomou-a por companheira e juntos deram origem a suras (deuses) e asuras (demônios).
O mantra de Brahma, ou Brahma Mantra, proporciona contentamento, saúde e longevidade. Concede também um sentimento profundo de devoção e confiança. Deve ser entoado, no mínimo, oito vezes: Om Hrim Brahmaya Namah.
Sarasvati, a Deusa da Sabedoria
É a forma feminina de Brahma, sendo sua companheira e filha por ter surgido diretamente da matéria do Criador e tê-lo desposado. Seus outros nomes são Satapura, Savitri, Gayatri e Brahmani. Representa todo o conhecimento e a sabedoria. Mãe dos Vedas (livro sagrado hindu) e inventora do alfabeto dêvanágarí (escrita dos deuses), é representada como uma bela jovem de quatro braços. Aparece sentada numa flor-de-lótus, símbolo da transmutação, trazendo em uma das mãos uma flor para oferecer a Brahma e na outra um livro, símbolo de sua sabedoria. Em outra mão segura um shivamala (colar de Shiva), que lhe serve para contar os mantras que entoa, e na outra, um pequeno tambor, chamado damaru, que lembra seu amor à arte e à música. Também é representada como uma jovem com apenas dois braços que toca um instrumento de cordas, sentada sobre uma flor de-lótus.
O mantra de Sarasvati, ou Sarasvati Mantra, visa o aperfeiçoamento do intelecto, da criatividade e da inteligência. Deve ser entoado, no mínimo oito vezes: Om Sri Sarasvatiaya Namah.
Vishnu, o Mantenedor 
Segunda divindade do trimurti, Vishnu é a energia conservadora. Aparece em oito encarnações ou avatares. Leva um disco na mão, mostrando que mantém o dharma, a retidão, a justiça, a honradez e a ordem do universo. A concha simboliza a remoção da ignorância e a música do cosmo. O lótus representa a beleza do universo e a pureza, assim como a transformação. O veículo de Vishnu é Garuda, o homem-águia, uma figura de grande força e poder.
O mantra de Vishnu, ou Vishnu Gayatri Mantra, tem como efeito principal estimular a força física do praticante. Deve ser entoado oito vezes ao dia:
Om Narayanaya Vidmahe Vasudevaya Dhi Mahi
Tanno Vishnu Prachodayata.

As oito manifestações de Vishnu e seus mantras

Segundo a tradição hindu, Vishnu se manifestou em oito formas divinas. Algumas poucas escolas acreditam que Siddharta Gautama — o Buda — seja a nona encarnação. Eu, particularmente, não.
1a manifestação: Matsya

Matsya significa peixe e nessa encarnação Vishnu é um peixe enorme com escamas de ouro e um chifre. Ele avisou Manu (o “Noé” hindu) sobre o dilúvio e salvou-o num barco preso ao seu chifre.
2a manifestação: Kurma

Vishnu, aqui, se transforma em Kurma, a tartaruga, a fim de salvar o Monte Mandara — que continha o leite da imortalidade — do ataque de demônios destruidores.
3a manifestação: Varaha

Quando a Terra estava submersa sob as águas de um segundo dilúvio, Vishnu encarnou em um javali, matando um gigante que aprisionava a Terra.
4a manifestação: Nara Simha

Vishnu aqui é Nara Simha, meio homem, meio leão. No crepúsculo matou um demônio que tinha invulnerabilidade durante o dia e a noite. Essa manifestação deveu-se à necessidade de combater a idolatria do homem.
5a manifestação: Trivik Rama

Desejando terminar a guerra entre deuses/deusas e demônios, Vishnu encarna num anão com poderes mágicos que domina os três mundos (físico, emocional e espiritual). O mantra que invoca Vishnu e o domínio dos três planos é: Om Trailokya Nathaya Namah.
6a manifestação: Parasu Rama

Nessa encarnação Vishnu aparece como um sacerdote hindu. Ele matou o rei Kshatryia, que roubou seu pai. Os filhos do rei, por sua vez, mataram seu pai, o que fez com que Parasu Rama matasse todos os homens descendentes do rei durante 21 gerações.
7a manifestação: Rama

Rama é um guerreiro que sai em resgate de sua esposa Sita, capturada pelo demônio Râvana. Na batalha descrita na Epopéia Ramayama, Rama tem um fiel amigo, o macaco Hanumam, deus da devoção.
8a manifestação: Krishna

Krishna é considerado a manifestação mais consciente de Vishnu. É o iluminado que traz caminhos de paz, equilíbrio e amor na era em que vivemos (kali-yuga).
Este é o mantra de Krishna, popularizado no Ocidente, a partir do fim dos anos 60, pelos Beatles:
Hare Rama, Hare Rama
Rama Rama, Hare Hare
Hare Krishna, Hare Krishna
Krishna Krishna, Hare Hare.

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